02 maio 2007

O capital da mídia na lógica da globalização, resumo, Dênis Moraes

A mídia e o entretenimento exercem duplo papel na vida contemporânea. A primeira exerce o papel de agente operacional da globalização, transformando seus discursos hegemônicos, mas opera tanto por uma ideologia global, quanto por canais tecnológicos, interagindo em tempo real e on line, povos do mundo inteiro. Os grandes conglomerados de mídia atuam como agentes econômicos globais, contribuindo ainda mais para a produção capitalista.

Já o entretenimento (indústrias de informação e diversão) formam o setor que mais crescem na economia norte-americana, à frente dos mercados financeiro e de serviços. As empresas de comunicação querem alcançar os parâmetros de lucratividade e rentabilidade dos gigantes transnacionais. Estrategicamente, os modelos utilizados são bastante semelhantes.

Os três pontos que ajudam a fixar o perfil da mídia global:

a) vivemos uma mudança de padrão comunicacional. Do gabarito mediático (Medium, do latim, é meio, meio de comunicação) para o multimediático ou multimídia, através da digitalização (internet, DVD, TV interativa de alta definição, celulares com Web móvel e os tantos que virão). A linguagem digital favorece proporções incalculáveis. Nessa esteira, os conglomerados tratam de otimizar as cadeias produtivas para lucrar em todas as pontas.

b) O segundo ponto refere-se ao modelo organizacional das corporações de mídia. No neoliberalismo, ocorre o processo de desregulamentação, de privatização. Sai de cena o Estado que representava a sociedade civil e os laços comunitários e entram os megagrupos de mídia, a maioria sediados nos EUA.

c) Na década de 90, as indústrias de mídia ajustaram-se às linhas-mestras da corporação-rede. Do planejamento mundializado, ou seja, buscaram um modelo de administração que seja ao mesmo tempo integrada e descentralizada. A empresa fornece as estratégias mais abrangentes, mas as divisões têm considerável autonomia.

As empresas de menor porte estão condenadas a se juntarem às líderes ou a explorarem nichos de mercado, caso contrário, vão a falência. Outro fator perturbador: as gigantes estão engolindo as grandes empresas.

“Os globalófilos podem até argumentar que nunca a humanidade se deparou com tantas informações e imagens, tantos acessos à cultura e ao entretenimento. Caberia objetar: mas quem comanda e centraliza a veiculação dos bens simbólicos? quem agencia os acessos? quem define o que vai ser fabricado e como e onde difundido?” Eis a questão...

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